domingo, 17 de janeiro de 2010

FUNDAMENTALISMO E PRECONCEITO

Numa semana marcada pela tragédia no Haiti, um idiota trouxe à tona outros males que contribuem para piorar este nosso triste mundo: o fundamentalismo religioso e o preconceito. A declaração do cônsul do Haiti no Brasil (nem vale a pena seu nome), que culpa a religião do povo pela catástrofe que atingiu seu país é uma das coisas mais estúpidas e bizarras que já ouvi.

As palavras deste senhor (que segurava um singelo terço nas mãos) são apenas a ponta de um iceberg. A ofensa às religiões e ao povo africano ainda é muito comum por aqui, em nosso Brasil miscigenado. Demonizam suas crenças e ritos, sem conhecê-las, como se fossem a própria reencarnação do mal. Tudo muito velado, dito ao pé dos ouvidos cristãos acima de qualquer suspeita. Hipocrisia pura.

Isto sempre me incomodou. Para mim, pouco importa qual a crença das pessoas com quem me relaciono. Isso não altera a essência delas. Não julgar ou depreciar a religião de outros é o mínimo que qualquer pessoa civilizada deve fazer. Mas, além deste preceito ser constantemente desrespeitado, quando se trata das religiões afro-indigenas a coisa fica ainda pior.

O fundamentalismo é nocivo na medida em que faz com que as pessoas deixem de dialogar. Tornam-se arrogantes. Quando se junta ao fanatismo, pode causar danos irreparáveis. Diminuem a importância de suas religiões porque consideram também assim as pessoas. É o velho preconceito étnico-racial disfarçado. Esqueceram de todos os ensinamentos que o Mestre ensinou.

Em um momento em que a solidariedade tem unido tantos adversários históricos, num sinal de que pode haver esperança, declarações como esta mostram que a Humanidade ainda tem muito que evoluir.

3 comentários:

Montanha disse...

Aliás, além de evoluir, a humanidade precisa ter consciência. Estamos em 2010 e, sinceramente, parece que estamos 100 mil anos atrasados.

Parabéns pelo novo design do blog e, a foto do cabeçalho, fez jus ao nome. Bem pensado!!!

Boas férias (falta pouco)

Montanha

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

não foi uma frase infeliz, foi uma frase nazista contra um povo que paga o seu salário...são os velhos capitães do mato a serviço do crime e do horror

Lindemberg Rocha disse...

Fala Jão,

São desses líderes que o mundo está infestado. O que nos resta fazer é evocar a sabedoria de todos os santos e trabalhar para libertar as consciências.

Viva a revolução dos oprimidos!