domingo, 24 de agosto de 2008

Nossa dura realidade

Acabaram os Jogos Olímpicos de Pequim. Provavelmente, muitos jornais e telejornais abrirão com manchetes parecidas com esta: “Brasil tem o melhor desempenho da história”. Se analisarmos os números friamente, o desempenho brasileiro foi realmente bom. Afinal, nossos atletas ganharam mais medalhas no total, mas com um ouro a menos do que em Atenas, em 2004. Porém, a sensação de frustração ficou no ar. Alguns dos brasileiros mais cotados a ganhar medalhas, decepcionaram no momento crucial. Parece que não estavam psicologicamente preparados para uma pressão deste tamanho. Retornamos, então, à nossa dura realidade.

Claro que as Olimpíadas são um grande espetáculo e que o esporte ajuda na inclusão das pessoas. Mas, não podemos pensar em um desenvolvimento do país levando-se em conta apenas nossa 23ª colocação no quadro de medalhas. Ficamos atrás dos subdesenvolvidos Jamaica, Etiópia e Quênia. Em contrapartida, ficamos à frente dos altamente ricos Suécia, Nova Zelândia e Dinamarca. Há muito mais a ser feito. Estamos na 70ª posição no IDH, ranking de qualidade de vida, que analisa educação, saúde e renda. Atrás, na América Latina, de Argentina, Chile, Uruguai, Costa Rica, Cuba etc. Também nunca vencemos um prêmio Nobel, que premia a excelência tecnológica e de pesquisas cientificas. Retornamos à nossa dura realidade.

Não estou dizendo que não devemos investir pesadamente no esporte. Apenas acredito que isto não deve tornar-se uma obsessão, visando apenas a possível realização de uma Olimpíada no Rio de Janeiro, em 2016. A prática esportiva deve fazer parte dos currículos escolares - com mais seriedade - desde a infância até a universidade. Isso traria benefícios enormes. Daria a algumas crianças a oportunidade de uma carreira interessante. Se isso não acontecer, pelo menos terão uma qualidade de vida melhor. Porém, estamos muito longe disso. Muitos talentos se perdem por aí por falta de infra-estrutura. Esta é a nossa dura realidade.

César Cielo, Maureen Maggi e as meninas do vôlei estão sendo tratados como heróis. Em um país tão carente de bons exemplos, é perfeitamente compreensível. A confiança demonstrada por Cielo antes da prova que o consagrou foi impressionante. Maureen superou vários problemas, como uma punição injusta por doping. A seleção feminina de vôlei conseguiu vencer o forte trauma da derrota nas semifinais em Atenas. O esporte é uma metáfora da vida; as derrotas não devem nos derrubar, e sim, nos tornar mais fortes. Precisamos deixar nosso “complexo de vira-latas” de lado e começar a mostrar que somos capazes de resolver nossas deficiências. Promover a igualdade social e racial, acabar com o analfabetismo e a mortalidade infantil, entre outras mazelas. Assim, mudaremos esta dura realidade.

3 comentários:

Alexandre disse...

Parabens pelo texto João....É isso mesmo, está na hora de provarmos que além de capacidade temos garra para superarmos nossas deficiências.

Montanha

Juliana Petroni disse...

Concordo com você quando diz que devemos investir no esporte. Acredito que se houvessem mais oportunidades para nossas crianças os resultados serão bem mais satisfatórios!
Um bjão

Marcos Forte disse...

Tem razão João, sabe-se lá até quando seremos o país do futuro...

Abs,

Marcão...