segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Natal

Então, é Natal. Seu “espírito” já está por toda a parte. Os shoppings estão todos enfeitados, os edifícios também. Na TV, as propagandas só falam disso. E ainda têm a coragem de passar aqueles filmes natalinos de sempre, pra encher linguiça na programação. E os noticiários exibem suas reportagens apelativas, repletas de “boas intenções”.

E daí? Confesso que para mim isso é muito chato. Não gosto de Natal. Não sei o porquê, mas é assim desde pequeno.

O que mais me irrita nessa época é a hipocrisia institucionalizada. De repente, como em passe de mágica, todos são amigos de infância. E o pior; ter de sorrir para não estragar o Natal de ninguém. Solidariedade e amor ao próximo devem ser praticados o ano inteiro, não em alguns dias apenas. O resto é conversa fiada pra aquecer o comércio.

Tem uma pessoa que gosto muito que definiu muito bem o sinto:
- Gostaria de poder dormir no dia 23 e acordar só no dia 26...
Ah, seria ótimo!

Simples desse jeito. Pode parecer ranzinza de minha parte, mas é assim. Aqueles que gostam, que sentem o espírito natalino presente em seus corações, que me perdoem a sinceridade. E que tenham, sim, um Feliz Natal.

sábado, 31 de outubro de 2009

CONTO DE PRIMAVERA

Viveram em uma mesma época. Talvez tivessem frequentado os mesmo lugares, se esbarrado algumas vezes por aí. Afinal, tinham desejos parecidos, as mesmas necessidades, procuravam coisas semelhantes.
Andaram pelos caminhos tortuosos das paixões desenfreadas sem se machucar. Caminharam por trilhas aventureiras sem se perder. E mergulharam nas águas calmas do amor tranquilo.
Ele achava que podia segurar as rédias de seu destino. Ela descobriu mais cedo que existem forças acima do nosso entendimento e aprendeu a domar seu ímpeto de viver.
O que não sabiam era que suas vidas se entrelaçariam em uma teia de emoções múltiplas. Que tudo o que existiu antes não poderia ser comparado ao que viria. Que as canções que sempre ouviram seriam sua trilha sonora.
Descobriram-se iguais na essência. Combinaram que o peso da impossibilidade não os deixariam mais fracos. Pelo contrário. Agora que se encontraram, não se perderiam mais. A única certeza que existe é o desejo de ficarem juntos.

domingo, 25 de outubro de 2009

Novos Rumos

Puxa! Mais um mês sem postar nada por aqui. Estou em débito comigo e com as pessoas que gostam de ler meus textos. Peço desculpas a todos. Nestes últimos dias, continuei escrevendo, mas, estava focado em outras coisas. Li algumas coisas que me inspiraram a tentar outros vôos e novos rumos. Ainda está em processo de amadurecimento. Porém, em breve, é provável que terei novidades a apresentar.
Até mais...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Papel em branco

Em cada sala, um pequeno mundo de grandes aprendizados. Em cada pequeno rosto, uma pequena história de vida. São pequenos seres humanos. Observando-os, entendi que já nascemos com algumas predisposições, não somos papel em branco e nada vem ao acaso.

Aprendi que temos alma. Está estampada em seus olhos, ainda em formação. Aprendo todos os dias a lidar com sua espontaneidade sem máscaras, sem subterfúgios. Tento me aproximar de seu universo tornando-me um deles. Muitas vezes, me deparo com minha incapacidade em compreender suas necessidades. Será que são tão diferentes do que éramos antes?

É óbvio que o meio em que vivem é fundamental na formação de suas personalidades. Porém, não é o único. Como explicar suas diferenças, o jeito delicado de um, a agressividade do outro, a extrema sensibilidade dessa e o distanciamento daquela?

Acredito que viemos a este mundo já carregados de informações, de sentimentos, de instintos, vindos de um “outro lugar”. E não estou falando da carga hereditária. Isso fica claro pra mim, agora que trabalho com crianças o dia inteiro. Este é um dos maiores mistérios da nossa existência.

Some-se a isso o conhecimento que adquirimos durante a vida, os lugares que frequentamos, as pessoas com quem nos relacionamos e o resultado...bem, o resultado é único. Não existem duas pessoas iguais e este é o grande milagre da Humanidade.

Sempre me perguntam como é (e está sendo) este contato com as crianças. É difícil, não há como negar. Sua sinceridade não dá tréguas. Algumas dessas pequenas pessoas ainda não foram domesticadas, estão em seu estado bruto. Então, a melhor resposta é "estou sempre aprendendo com elas..."



sábado, 19 de setembro de 2009

Transpiração

Falta de inspiração, preguiça, trabalhos de faculdade, problemas pessoais...ou tudo ao mesmo tempo agora! Nunca fiquei tanto tempo assim sem postar nada!
Contra a preguiça, luto todos os dias. Os trabalhos, vou fazendo - ando meio desanimado, mas sigo em frente. Os problemas...não posso deixar que me abatam. O ideal seria transformá-los em fonte de inspiração antes de resolvê-los. E inspiração nem sempre vem como uma entidade espírita. Necessita de muita transpiração.
Então, ao trabalho Johnny Bigod! O tempo não espera por ninguém...

sábado, 22 de agosto de 2009

20 anos sem Raul

Conheci Raul Seixas ainda criança, no dia em que meu irmão Valter, cinco anos mais velho e já iniciado no mundo do Rock e da MPB, chegou em casa com o “Krig-Ha Bandolo” debaixo do braço. Assim que a agulha da vitrola tocou o vinil, a paixão e identificação foram instantâneas. Rock com sotaque brasileiro, letras inteligentes, irônicas, sarcásticas, exotéricas, bem humoradas. Todo esse caldeirão de ideias mexeu comigo. Quem era aquele barbudo magricela que cantava coisas tão malucas, tão diferente de tudo o que se ouvia na época?

Raul era anárquico, livre e extremamente consciente de tudo o que rolava ao seu redor. Para os caretas, era apenas um doido varrido. Para os que o admiram, Raulzito traduz um sentimento atemporal de viver longe das amarras que nos prendem a uma vida medíocre. Ele viveu tudo aquilo que cantou, como um cientista que se presta a ser cobaia de suas próprias experiências. E sofreu as consequências por isso.

Ele foi político sem tomar partido de nenhum movimento. Falou de amor, com verdade, sem apelação e sem soar piegas. Falou de misticismo, sem se prender a nenhuma religião. Foi o início, o fim e o meio. A metamorfose ambulante, a mosca na sopa, o sapato 36, o cachorro urubu em guerra com os “EU”. Seu legado ainda está intacto e com muito a ser descoberto.

As histórias e lendas que cercam sua vida são um capítulo à parte. Uma delas, contada por amigo de meu irmão chamado Daniel, conta que o “Maluco Beleza”, nos anos 70, esteve num boteco perto de onde morávamos, um bairro da periferia de Osasco. Tomou cachaça com a rapaziada e tudo mais. Esta “visita” está registrada em livro por um irmão do Daniel. Cresci ouvindo esta história e até hoje não sei se é verídica ou não. Pretendo resgatá-la um dia.

Ontem, na Praça da Sé, junto com milhares de outros fãs, prestei minha homenagem como tinha de ser: cantando suas canções junto com os amigos. Somente um artista como ele pode aglutinar pessoas tão diferentes em torno de sua obra. Foi um grande momento de celebração a vida e a música.

Em 1989, Raul pegou carona com o moço do disco voador e, desde então, vive por aí, neste mundão de Deus, rindo de nossa cara ou meio irritado com o que estamos fazendo de nossas vidas e de nosso planeta. Quem sabe um dia ele não volta no metrô linha 743.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O primeiro

As primeiras vezes são sempre marcantes:
O primeiro beijo e a primeira noite de amor. O primeiro gole quando se está com sede. A primeira professora, o primeiro gol, a primeira mordida na maçã. O primeiro filho, suas primeiras palavras, os primeiros passos, a primeira decepção. O primeiro dia após a chegada dos hormônios. E o primeiro emprego.
Hoje, Juliana inicia sua caminhada rumo à própria independência. Ela carrega muito deste espírito livre dentro de si. É um momento de crescimento, de fortalecimento da auto-estima. Que ela tenha mais sorte e competência do que eu. Estarei ali, ao lado, pra dar uma força sempre que ela precisar...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Guerreiro da Igualdade e da Paz

Ele é um guerreiro negro segurando a bandeira branca da igualdade e da paz. Para os usurpadores, era um perturbador da ordem vigente, um guerrilheiro. Quando a humilhação de seu povo ficou insuportável, empunhou as armas e lutou bravamente. Tornou-se estrangeiro em seu próprio país. Perdeu a liberdade, mas não o orgulho. Sua voz, mesmo sufocada, não se calou. Tentaram comprar sua alma, porém ele nunca traiu seus irmãos. Tentaram baixar sua cabeça, quebrar suas pernas, mas o mundo conheceu sua história e clamou por justiça.
Então, os mesmos que o prenderam foram obrigados a soltá-lo. O guerreiro da igualdade e da paz, finalmente, estava livre. Mesmo após tanto tempo de cárcere, seu rosto tinha uma serenidade que transcendia nosso entendimento. Ele mostrou que era maior do que todos aqueles que o feriram. Para muitos, seria a hora da vingança, de tomar de volta tudo aquilo que lhe foi tirado. Não para ele. Em seus sonhos não havia espaço para mais um banho de sangue. Queria ver seu país em harmonia. E governou para todos, sem distinção de raça e cor. Não foi unânime, cometeu equívocos. Afinal, é humano como todos nós. Mas, não um humano qualquer. Talvez uma evolução da raça, calejado pelo sofrimento e enobrecido pelo perdão.
É o símbolo máximo da luta pela igualdade racial de nossos tempos. E o melhor de tudo: ele ainda está entre nós, vivo e atuante. Não precisamos reverenciar apenas os mártires desta causa. Aos 91 anos, completados em 18 de julho deste ano, a vida de Nelson Mandela tem de ser celebrada por todos aqueles que acreditam que o dia em que ninguém mais fará distinção de uma pessoa por sua raça e cor ainda chegará.
Viva Mandela!!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Aniversário

Hoje, o Blog do Bigod faz um ano. Um ano de muito aprendizado, na prática e através dos amigos blogueiros. Agradeço aos que me incentivaram a começar. Relutei bastante, tinha um certo receio da exposição, da responsabilidade que isso traria. Besteira. Criar o blog só me ajudou a escrever melhor.

Quero agradecer aqueles que leram, que comentaram, que discordaram do que escrevi. Aos elogios também (e as críticas quando vierem). É bom recebê-los, mas, tento não deixar que me tornem acomodado ou deslumbrado.

Enfim, espero continuar escrevendo neste espaço (e em outros, claro). E encontrar aquilo que venho buscando há tempos: um estilo próprio de falar de coisas simples e complexas, de hoje e de ontem, de dentro e de fora. O apoio de vocês é fundamental pra mim.

Quero celebrar este momento e agradecer. Obrigado a todos.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A revolução

É impressionante como a nossa sociedade acostumou-se com o lixo, com o sujo, o errado. É só dar uma olhada a nossa volta.
Parece normal andar pelo centro da cidade e ver o lixo espalhado pelas ruas e calçadas (como no Parque Dom Pedro). Ver o rio Aricanduva transbordando de sujeira em dias de chuva. Ver o nosso sistema levando os jovens da periferia a tornarem-se criminosos. Ver as Ong’s tentando resgatar alguns poucos, como se estivesse segurando água com uma peneira. Ver nossa mídia tendenciosa manipulando informações à revelia do povo.
Parece normal assistir ao achincalhamento público do Congresso Nacional, que deveria nos representar. Ver que aqueles que hoje acusam, já cometeram e cometerão os mesmos crimes dos que estão sendo acusados. Ver os mais ricos sonegarem impostos, enquanto as classes médias pagam o pato. Ver as pessoas se matando no trânsito, por imprudência e negligência. Parece normal ver crianças e adolescentes ouvindo músicas que fazem apologia ao crime e ao sexo.
Parece normal, mas, tenho certeza de que não é. Calma, senhores e senhoras, não me converti a nenhuma dessas igrejas que condenam a todos, como se só eles estivessem certos. Só estou cansado de ver tanto egocentrismo, comodismo, tanta impunidade. Estou cansado de ver tanta gente agindo pelo senso comum, sem personalidade. De ver que a “Lei de Gerson” (a que dizia ‘gosto de levar vantagem em tudo’) virou regra. De ver tanta falta de educação. Porém, me sinto como um camundongo lutando contra a vassoura, parece algo maior do que eu. Acho que só a união pode vencer o medo e a inércia. Então, como unir todos os que pensam assim?
Como disse outro dia no blog da Michele, apesar dos 40, ainda carrego um pouco de utopia dentro de mim. Sem aquela ingenuidade de antes, mas ainda esta aqui. Em contrapartida, também carrego este egoísmo característico dos nossos tempos. De olhar muito para dentro de si próprio.
Contudo, as qualidades inerentes à nossa profissão nos forçam a enxergar o mundo com uma luneta. Sair de nosso mundo interior, buscar o externo. Por isso, nós, futuros (e atuais) jornalistas somos um veículo fundamental para a mudança. Ou, como diria meu amigo Beto, "a educação é a revolução".

sábado, 25 de julho de 2009

O "X" da questão

Desde o início do ano vivemos sob a regência de uma nova ortografia. O pretexto para este brilhante ato foi a unificação da escrita nos países de língua portuguesa. Porém, passado o impacto inicial, achei as mudanças desnecessárias. Alguns acentos e hífens caíram, outros foram criados. E daí?

Podiam ter mexido em coisas mais importantes. Uma que sempre me incomodou foi o verdadeiro som do “X”. Afinal, qual é a dessa letra? Dei uma pesquisada no inglês e no espanhol e nestes idiomas o “X” tem uma função bem definida. No português não.

Uma hora é “ch”, em outra é “z”. Às vezes, torna-se “cs” ou, simplesmente, um “s” e até "c". Ô letrinha volúvel! Isso sempre me causou muita confusão quando criança. Imagino que hoje ainda seja um grande problema para os pequenos. O “X” sempre foi uma incógnita (na matemática, literalmente) pra mim.

Então, porque não definir apenas uma fonética para ela? Exemplo: se a partir de hoje o “X” passasse a ter somente som de “ch” e, em alguns casos, “cs”, exame passaria a ser “ezame”. Excesso, “ecesso”. Estranho não?

Parece desnecessário, meio bisonho até. Afinal, não é algo que vá acabar de uma hora pra outra com os problemas do país. Mas, poderia facilitar um pouco a vida de quem vai começar a ler e escrever a partir de agora. Ou é somente mais um dos meus delírios.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Entressafra

Segunda-feira, dia 13 de julho, foi o Dia Mundial do Rock. Vez ou outra surge aquele coro anunciando sua morte. Mesmo fora da grande mídia, ele segue firme e forte.

Acho até melhor esse ostracismo involuntário. Pelo menos ficamos sabendo quem gosta de verdade. Porém, um fato me preocupa: a falta de ídolos para as novas gerações. Dei uma passada na Galeria hoje e o que predomina nas camisetas são bandas de mais de 15 anos.

Nesta década, não surgiu nada tão bom que pudesse fazer frente aos grandes nomes do passado. E, sem renovação, os mais jovens estão condenados a ouvir uma música cada vez mais velha.

Não que eu tenha alguma coisa contra. Muitíssimo pelo contrário. Quem me conhece sabe disso. Talvez faltem veículos de divulgação – adoro a Kiss FM, mas ela toca pouca coisa recente. Ou, talvez seja um período de entressafra mesmo.

Sei lá. Enquanto isso vou vasculhando meu baú (e a internet, por que não?) pra ver se descubro novos sons antigos. E velhas coisas atuais.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Vida longa ao Rei

Quem vê Roberto Carlos hoje, cantando canções religiosas, lacrimosas e de gosto duvidoso, quase duvida que um dia ele fora tão ousado e criativo. Porém, por tudo o que fez, especialmente em seus primeiros 15 anos de carreira, ele merece as homenagens que lhe estão sendo prestadas na comemoração de seus 50 anos de música.

Tudo começou com um simples compacto sem muita repercussão, no longínquo 1959. Seu primeiro álbum completo só foi gravado em 1962, repleto de versões e algumas canções próprias, já com o eterno parceiro Erasmo. Veio o sucesso com a Jovem Guarda, mas não o prestígio. Eram chamados de “alienados” pelos intelectuais da época, amantes da Bossa Nova. Onde, então, Roberto Carlos assumiu o trono e a coroa de rei?

Quando comecei a tomar ciência das coisas, nos anos 70, Roberto já era soberano no rádio e na TV, com programas especialmente dedicados à ele e tudo mais. Sua transformação de ídolo pop juvenil para um lugar cativo no olimpo da MPB ocorreu no fim da década anterior. Com a decadência da Jovem Guarda, o Rei começou a ampliar seus horizontes musicais, misturando seu som com fartas doses de Black Music (Soul e Funk). A vitória no Festival de San Remo, em 1968, serviu também para solidificar este seu lado intimista.

A partir daí, começa a grande fase de sua carreira. Lança até 1972 seus melhores discos, ao mesmo tempo em que vê sua popularidade chegar à estratosfera. As letras ficam mais elaboradas e ele ganha moral entre os nomes conceituados da música do país. Nos shows, cada vez mais bem produzidos, Roberto se agiganta. Seu reinado estava consolidado. Mesmo que, na sequência, tenha dado uma guinada para uma música mais comercial e voltada ao público latino.

Hoje, Roberto Carlos vive do prestígio que conquistou nesta época. É difícil alguém não conhecer ao menos uma dúzia de canções do Rei e gostar de pelo menos uma delas. Sua música alcança a todos; dos mais velhos aos mais jovens, dos mais pobres aos mais ricos. Já foi gravada por artistas de MPB, Rock, Sertanejo, Samba, Axé. É um patrimônio da cultura nacional.

E digo tudo isso sem ser um fã incondicional. Imaginem se eu fosse. Vida longa ao Rei.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sociedade do Espetáculo?

Pensei que já tivesse visto de tudo. Das mais variadas e insanas manifestações de amor a um ídolo. Showmícios, shows para celebrar o nascimento de algo ou alguém, shows para comemorar títulos e vitórias. Até shows para festejar o fim de uma carreira. Mas, nunca um show-funeral.

Nunca vi pessoas com um sorriso na boca e um ingresso na mão - a distribuição e venda, por si só, já é um absurdo - para assistir ao funeral de quem quer que seja. Pessoas felizes em um momento de pesar e dor, como se estivessem indo assistir a um espetáculo.

Por mais genial que fosse, por mais importante que tenha sido para a música pop mundial, Michael Jackson, depois de uma vida tão atribulada e cheia de traumas, merecia um pouco de paz em seu enterro. Todas as homenagens que vierem depois serão bem vindas.

Parece que chegamos ao cúmulo da “Sociedade do Espetáculo”, a mesma que fez do Rei do Pop um ícone e uma vítima. Afinal, que tempos são estes?

terça-feira, 30 de junho de 2009

Férias

Enfim, as férias. Férias de quase tudo: trabalho, faculdade. Pelo menos por uns dois ou três dias, quero desacelerar e não pensar em nada importante. Depois, vou fazer as coisas que não faço há um bom tempo: ir ao cinema, ao teatro, ao "Palestra", shows, ler livros, jornais, revistas, pedalar. Quanta coisa! Acho que um mês será pouco para tanto. Se der pra viajar também, ótimo.

Estamos exatamente na metade do ano. O semestre foi estressante, corrido pra caramba. Quero aproveitar este tempo também para criar novas oportunidades para trabalhar com o que gosto. Não tenho tempo a perder.

Aquela decisão insana do STF, sobre a não obrigatoriedade do diploma, me abalou. Tanto que estas são as primeiras linhas que escrevo sobre o assunto. O futuro sobre a profissão que escolhi parece nebuloso. No momento, o que vejo é que viramos piada para os outros estudantes e profissionais. Gostaria de fazer algo sobre isso. Mas, ainda são sei o quê e nem por onde começar.

Férias também é um momento de reflexão, de reciclagem. Preciso desta parada estratégica. Minha vida sempre foi uma luta constante contra a preguiça. Este mês, posso curtí-la sem culpa. Quero buscar novos sonhos. Quero olhar as coisas por outro prisma. Quero conhecer novas pessoas. Quero visitar lugares que não conheço.

O blog não tira férias, continua firme. Afinal, terei mais tempo pra escrever. Talvez ele precise de uma repaginada, já que em agosto completará um ano. Puxa! E pensar que tinha o maior receio de me expor! Acho que foi a melhor coisa que fiz no ano passado. Só não vou tirar férias de mim mesmo. E, desta vez, nem dos amigos.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Fora de série

Existem apenas dois caminhos para os artistas mirins, aqueles que iniciam suas carreiras muito cedo, ainda na infância. Ou piram após caírem no ostracismo, ou piram quando o sucesso continua. Este foi, infelizmente, o caso de Michael Jackson. Conheço pouquíssimas exceções. Mas, não me lembro de nenhuma agora.

Michael Jackson foi cria da enorme fábrica de talentos chamada Motown. Gostava dele com seus irmãos no Jackson 5. Porém, quando chegou sua fase Thriller, eu estava completamente ligado em Rock e, odiá-lo era um de meus esportes preferidos. Passado este período de intolerância, pude entender o tamanho da sua importância. O Rei do Pop era um fora de série.

Em que momento de sua conturbada vida, Michael pirou? Talvez durante aqueles exaustivos ensaios forçados pelo seu pai tirano. Talvez pelo sucesso excessivo e precoce, que já vez vítimas como Macauley Culkin. O fato é que suas atitudes estranhas arranharam sua imagem e sua carreira.

Quando um artista morre, suas qualidades acabam sendo superestimadas. Aconteceu com Elvis, que na época estava praticamente esquecido e decadente. Lembro-me de uma prima que virou sua fã da noite para o dia e que engravidou logo após a morte do Rei do Rock. Se fosse homem, seu filho chamaria-se Elvis Sérgio. Graças à Deus, nasceu Priscila. Com Michael Jackson, sem dúvida, acontecerá o mesmo.

Mesmo com todos os problemas, ninguém nunca poderá negar seu carisma e sua qualidade musical. Melhor guardar na memória seus grandes momentos: o moonwalk, clipes históricos como Thriller e Black or White e grandes canções como Beat It e Billie Jean.

domingo, 21 de junho de 2009

Antigos cinemas de rua podem ser reabertos

Projeto prevê a reabertura de antigas salas e resgatar parte do centro da capital
Reportagem feita para a matéria Revisão e Redação em Jornalismo.
Avenida São João, 1462. Neste endereço funcionava aquele que é tido por muitos como o melhor e mais incrível cinema de rua da cidade. Um pouco distante da esquina imortalizada na canção, o Comodoro foi um dos símbolos da efervescência que vivia o centro, entre as décadas de 1960 e 1980. Nele, era possível assistir os melhores filmes em um sistema de som considerado o mais moderno entre seus pares: o Dolby Stereo Surround. Logo em frente, ficava o Cinespacial, com suas três telas (uma em frente e outras duas, uma de cada lado) exibindo o mesmo filme, simultaneamente. Sem contar o Cine Ipiranga, o charmoso Marrocos, o Marabá, o Olido, entre muitos outros.

Com a degradação da região central, muitas destas salas viraram igrejas evangélicas, estacionamentos ou exibem shows de strip-tease e filmes de sexo explícito. Ou, simplesmente, fecharam. Como é o caso do Comodoro. O jornaleiro Manoel Brandão,foi freqüentador assíduo. Ele conta, com muito saudosismo e uma certa emoção na voz, os filmes que assistiu ali. “O Comodoro era o que passava as melhores produções. Vi o Inferno na Torre, Os Dez Mandamentos, Ben Hur, com aquele ator que morreu, o Charlton Heston. No Terromoto (filme-catástrofe da década de 70), as cadeiras até balançavam. Foi um dos melhores filmes que eu vi. O último foi Striptease, com a Demi Moore”, diz.

No Cinespacial chegou a funcionar um bingo, mas, agora está fechado. Brandão - que aparenta bem mais que seus 61 anos – até gostava, mas, viu poucos filmes ali. Hoje, não vai mais aos cinemas. Os shoppings não lhe agradam. “Não me sinto bem nesse lugar. Parece que ele tira a liberdade da gente”, afirma, dentro de sua pequena banca de jornal, á poucos metros das duas salas.

A movimentação que existia na Avenida São João era constante. Em dias de exibição, dependendo do filme, as filas dobravam as esquinas. O Sr. Bartolomeu de Andrade, 51 anos, dono de um bar ao lado, também freqüentava o Comodoro. “Eu morava aqui perto. Preferia assistir na terça ou na quarta-feira. Nos fins de semana era muito cheio. Lembro-me que a fila para ver O Exorcista dobrava a esquina, voltava e dobrava novamente. A Avenida São João funcionava 24 por dia. A gente podia sair as duas, três da manhã pra comer alguma coisa que não tinha perigo. O máximo que existia eram os batedores de carteira”, conta Andrade, com um sorriso nostálgico nos lábios.

Sua opinião sobre o Cinespacial é diferente da do jornaleiro. Andrade achava ruim. Porém, o brilho nos olhos quando fala daquele período é o mesmo. “A sensação de ver Tubarão naquela tela gigantesca era assustadora. Parecia que você estava dentro do filme. Foi uma época muito boa”. Hoje, não vai mais aos cinemas. Prefere ficar em casa e assistir a um DVD. Sinal dos tempos.


Novas iniciativas

Atualmente, iniciativas públicas e privadas tentam resgatar algumas destas antigas salas. O Marabá rendeu-se ao padrão Cinemark/Multiplex e foi reinaugurado no dia 30/05. Onde antes existia um telão com 1500 lugares, agora há cinco salas menores. O arquiteto Ruy Ohtake, um dos mais famosos do país, é o responsável pela reforma, que mistura o conforto do presente com o glamour do passado. David Fernandes, 18, que trabalha em uma banca de jornal quase em frente, acredita no projeto. “Acho que vai ‘bombar’. Pretendo assistir alguns filmes aí”.

Porém, a principal metamorfose ocorreu na Galeria Olido. Há quase cinco anos, ela foi reinaugurada com o propósito de revitalizar o centro de São Paulo. Além do cinema, que foi mantido com foco em filmes longe do circuito comercial, a Olido tornou-se um excelente espaço para shows de música e dança. Muitas características da época em que foi inaugurada (na década de 1950) foram mantidas, como as poltronas vermelhas e o hall de entrada. Mas, infelizmente, ela ainda é um oásis em meio à degradação ao seu redor.

Existe um projeto da prefeitura de reabrir alguns destes antigos cinemas do centro. A ideia é revitalizar um “corredor” que vai do Teatro Municipal às avenidas Ipiranga e São João. O Marrocos deve ser transformado em um cinema municipal. O Art Palácio, em uma casa de espetáculos, nos moldes do Radio City Music Hall, de Nova York. O Cine Ipiranga ainda não tem destino certo. A reforma do Cine Metrópole, na praça Dom José Gaspar, depende de uma aprovação do Conpresp (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico). Também existem projetos para a reabertura dos cines Windsor e Paissandu. Enfim, se tudo isso sair do papel, o centro da cidade, finalmente, começará seu processo de revitalização.


sábado, 13 de junho de 2009

Herois no cinema

Hoje em dia, é comum assistir aos blockbusters de super herois no cinema. Nem sempre foi assim. Após inúmeras tentativas, foi somente nesta década que Hollywood encontrou a fórmula perfeita para transformar as peripécias dos mais diversos personagens em sucesso. O primeiro longa metragem dos X-Men foi a pedra fundamental desta nova etapa.

As novas tecnologias em computação gráfica tornaram possíveis a realização de produções com efeitos visuais inimagináveis para um veterano como eu. Afinal, meu primeiro contato com os super herois foi com aqueles desenhos da Marvel, sem movimento, pareciam páginas de gibi transpostas para a tela. Só mexiam a boca. Capitão América, Thor, Hulk. Tudo aquilo, hoje, parece hilário. Mas, na época, era o máximo.

A primeira tentativa de trazer este universo para o cinema foi com Superman, no longínquo ano de 1978. E foi em grande estilo, um sucesso estrondoso. Os efeitos visuais até hoje não fazem feio. Veio o segundo filme (que já era normal naquela época) e, em seguida, a série esfriou. Por alguns anos, nossos herois foram engavetados pelos produtores da capital do cinema.

No fim dos anos 80, a nova investida: Batman. O homem-morcego reaparece mais sombrio, mais angustiado. Como nos quadrinhos de Frank Miller. E sem o “mala” do Robin. Porém, a escolha do ator principal foi equivocada. Após o quarto filme e duas trocas de atores, Batman foi aposentado pelos estúdios.

Depois dos nossos amigos mutantes, chegou às telas o (na minha opinião) melhor e mais bem sucedido da categoria: o Homem Aranha. É o meu heroi preferido. Tudo bem, o Batman não tem super poderes. Mas é um milionário excêntrico e metido à besta. É impossível não se identificar com Peter Parker que, além de repórter (olha o corporativismo!), é um sujeito “quase” normal, com seus problemas cotidianos, contas pra pagar, brigas com a namorada e discussões com o chefe que não vai com sua cara.

Falei tudo isso apenas pra dizer que assisti, há alguns dias, ao mais novo produto desta safra, o Homem de Ferro. Tony Stark e sua fantástica armadura já faziam parte do meu imaginário desde a infância – era um daqueles desenhos da Marvel, citados lá em cima. E parece que os americanos estão se especializando no assunto. É um excelente filme de ação, com um bom roteiro, bons atores no elenco de apoio e uma escolha acertada no papel principal.

Com todo este know how adquirido, até o Cavaleiros das Trevas foi ressuscitado. Quem sabe agora não está chegando a vez do Capitão América, Thor, Aquaman, The Flash, o Lanterna Verde, entre outros que não me lembro agora. Só espero que não o façam com os japoneses (arghh!). Vamos aguardar os próximos episódios.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Radicalismo que se percorre em duas rodas

Ciclistas de várias modalidades fazem de São Paulo a capital das bicicletas
(Reportagem feita para o link 5 de Prexol)


Foto: João Luis Pinheiro
Trilhas terrenas em mata fechada, muitas pedras no caminho. Aclives e declives, alto teor de adrenalina em cima de uma bike. Parece, mas não é uma cidadezinha do interior. A mata em questão é a Serra da Cantareira, que desenha o limite norte da capital paulista. É difícil acreditar, entretanto tudo isso está a poucos quilômetros do centro.
Entres os esportes radicais que se popularizaram recentemente, o ciclismo é um dos mais praticados. Das categorias existentes, o mountain bike talvez seja a mais radical delas. Pelo menos é o que sente José Roberto Almeida, 56 anos e ciclista há mais de 40. “Sinto-me um garoto quando ando por aquelas trilhas. Além do visual incrível que tem lá de cima”, explica Almeida.
Buzinas, fumaça cinza entrando pelos pulmões. Carros que fecham, desrespeito total. A paisagem muda, mas o radicalismo continua. O nível de adrenalina ainda é alto, porém, agora, o asfalto é quem dá o tom. Pedalar nas ruas da metrópole é arriscado. São Paulo possui apenas 30 quilômetros de ciclovias. E, infelizmente, nem todos tomam os devidos cuidados.

Valdir Gomes é técnico em informática, pedala há muito tempo, e uma vez por semana (aos sábados) desloca-se de sua casa na Zona Leste até o Brooklin, em sua bicicleta. Ele utiliza todos os equipamentos de segurança. “Poucos motoristas respeitam o ciclista. E os buracos na pista são um perigo tão grande quanto os carros. Tenho que manter a atenção redobrada”.

Saltos mortais, manobras difíceis. As piruetas no ar são comuns para estes esportistas. Os novos modelos das “magrelas” agora são menores. E os praticantes também. A pista é de terra e a modalidade é o bicicross, onde o que vale é a habilidade acrobática do piloto. E a velocidade também. A pista do Parque Ecológico do Tietê é uma das poucas existentes na cidade.

Há ainda os velocistas, que cruzam as rodovias que cortam a Grande São Paulo. Pelo acostamento, com mais segurança, os praticantes desta modalidade percorrem distâncias enormes, pelo simples prazer de pedalar. “As melhores estradas são a Ayrton Senna, até Mogi das Cruzes e a Bandeirantes, até o Hopi Hari. Não é muito radical, mas é uma delícia”, explica Gomes.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Wish Were Here

Então, então você acha
Que consegue distinguir
O céu do inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir
Um campo verde
De um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?
Você acha que consegue distinguir?

Fizeram você trocar
Seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
Ar quente por uma brisa fria?
Conforto frio por mudança?
Você trocou
Um papel de coadjuvante na guerra
Por um papel principal numa cela?

Como eu queria
Como eu queria que você estivesse aqui
Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre este mesmo velho chão
O que encontramos?
Os mesmos velhos medos
Queria que você estivesse aqui.

Esta não é uma canção de amor. Foi escrita por Roger Waters e David Gilmour em 1975 e dedicada ao amigo Sid Barret, que havia partido em uma viagem sem volta para o mundo dos lunáticos. Acho que funciona muito bem como homenagem ao meu grande amigo, que também partiu há um ano, em outra viagem só de ida. Um clássico, exemplar mais do que perfeito de letra e melodia fantásticas.