terça-feira, 18 de agosto de 2009

O primeiro

As primeiras vezes são sempre marcantes:
O primeiro beijo e a primeira noite de amor. O primeiro gole quando se está com sede. A primeira professora, o primeiro gol, a primeira mordida na maçã. O primeiro filho, suas primeiras palavras, os primeiros passos, a primeira decepção. O primeiro dia após a chegada dos hormônios. E o primeiro emprego.
Hoje, Juliana inicia sua caminhada rumo à própria independência. Ela carrega muito deste espírito livre dentro de si. É um momento de crescimento, de fortalecimento da auto-estima. Que ela tenha mais sorte e competência do que eu. Estarei ali, ao lado, pra dar uma força sempre que ela precisar...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Guerreiro da Igualdade e da Paz

Ele é um guerreiro negro segurando a bandeira branca da igualdade e da paz. Para os usurpadores, era um perturbador da ordem vigente, um guerrilheiro. Quando a humilhação de seu povo ficou insuportável, empunhou as armas e lutou bravamente. Tornou-se estrangeiro em seu próprio país. Perdeu a liberdade, mas não o orgulho. Sua voz, mesmo sufocada, não se calou. Tentaram comprar sua alma, porém ele nunca traiu seus irmãos. Tentaram baixar sua cabeça, quebrar suas pernas, mas o mundo conheceu sua história e clamou por justiça.
Então, os mesmos que o prenderam foram obrigados a soltá-lo. O guerreiro da igualdade e da paz, finalmente, estava livre. Mesmo após tanto tempo de cárcere, seu rosto tinha uma serenidade que transcendia nosso entendimento. Ele mostrou que era maior do que todos aqueles que o feriram. Para muitos, seria a hora da vingança, de tomar de volta tudo aquilo que lhe foi tirado. Não para ele. Em seus sonhos não havia espaço para mais um banho de sangue. Queria ver seu país em harmonia. E governou para todos, sem distinção de raça e cor. Não foi unânime, cometeu equívocos. Afinal, é humano como todos nós. Mas, não um humano qualquer. Talvez uma evolução da raça, calejado pelo sofrimento e enobrecido pelo perdão.
É o símbolo máximo da luta pela igualdade racial de nossos tempos. E o melhor de tudo: ele ainda está entre nós, vivo e atuante. Não precisamos reverenciar apenas os mártires desta causa. Aos 91 anos, completados em 18 de julho deste ano, a vida de Nelson Mandela tem de ser celebrada por todos aqueles que acreditam que o dia em que ninguém mais fará distinção de uma pessoa por sua raça e cor ainda chegará.
Viva Mandela!!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Aniversário

Hoje, o Blog do Bigod faz um ano. Um ano de muito aprendizado, na prática e através dos amigos blogueiros. Agradeço aos que me incentivaram a começar. Relutei bastante, tinha um certo receio da exposição, da responsabilidade que isso traria. Besteira. Criar o blog só me ajudou a escrever melhor.

Quero agradecer aqueles que leram, que comentaram, que discordaram do que escrevi. Aos elogios também (e as críticas quando vierem). É bom recebê-los, mas, tento não deixar que me tornem acomodado ou deslumbrado.

Enfim, espero continuar escrevendo neste espaço (e em outros, claro). E encontrar aquilo que venho buscando há tempos: um estilo próprio de falar de coisas simples e complexas, de hoje e de ontem, de dentro e de fora. O apoio de vocês é fundamental pra mim.

Quero celebrar este momento e agradecer. Obrigado a todos.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A revolução

É impressionante como a nossa sociedade acostumou-se com o lixo, com o sujo, o errado. É só dar uma olhada a nossa volta.
Parece normal andar pelo centro da cidade e ver o lixo espalhado pelas ruas e calçadas (como no Parque Dom Pedro). Ver o rio Aricanduva transbordando de sujeira em dias de chuva. Ver o nosso sistema levando os jovens da periferia a tornarem-se criminosos. Ver as Ong’s tentando resgatar alguns poucos, como se estivesse segurando água com uma peneira. Ver nossa mídia tendenciosa manipulando informações à revelia do povo.
Parece normal assistir ao achincalhamento público do Congresso Nacional, que deveria nos representar. Ver que aqueles que hoje acusam, já cometeram e cometerão os mesmos crimes dos que estão sendo acusados. Ver os mais ricos sonegarem impostos, enquanto as classes médias pagam o pato. Ver as pessoas se matando no trânsito, por imprudência e negligência. Parece normal ver crianças e adolescentes ouvindo músicas que fazem apologia ao crime e ao sexo.
Parece normal, mas, tenho certeza de que não é. Calma, senhores e senhoras, não me converti a nenhuma dessas igrejas que condenam a todos, como se só eles estivessem certos. Só estou cansado de ver tanto egocentrismo, comodismo, tanta impunidade. Estou cansado de ver tanta gente agindo pelo senso comum, sem personalidade. De ver que a “Lei de Gerson” (a que dizia ‘gosto de levar vantagem em tudo’) virou regra. De ver tanta falta de educação. Porém, me sinto como um camundongo lutando contra a vassoura, parece algo maior do que eu. Acho que só a união pode vencer o medo e a inércia. Então, como unir todos os que pensam assim?
Como disse outro dia no blog da Michele, apesar dos 40, ainda carrego um pouco de utopia dentro de mim. Sem aquela ingenuidade de antes, mas ainda esta aqui. Em contrapartida, também carrego este egoísmo característico dos nossos tempos. De olhar muito para dentro de si próprio.
Contudo, as qualidades inerentes à nossa profissão nos forçam a enxergar o mundo com uma luneta. Sair de nosso mundo interior, buscar o externo. Por isso, nós, futuros (e atuais) jornalistas somos um veículo fundamental para a mudança. Ou, como diria meu amigo Beto, "a educação é a revolução".

sábado, 25 de julho de 2009

O "X" da questão

Desde o início do ano vivemos sob a regência de uma nova ortografia. O pretexto para este brilhante ato foi a unificação da escrita nos países de língua portuguesa. Porém, passado o impacto inicial, achei as mudanças desnecessárias. Alguns acentos e hífens caíram, outros foram criados. E daí?

Podiam ter mexido em coisas mais importantes. Uma que sempre me incomodou foi o verdadeiro som do “X”. Afinal, qual é a dessa letra? Dei uma pesquisada no inglês e no espanhol e nestes idiomas o “X” tem uma função bem definida. No português não.

Uma hora é “ch”, em outra é “z”. Às vezes, torna-se “cs” ou, simplesmente, um “s” e até "c". Ô letrinha volúvel! Isso sempre me causou muita confusão quando criança. Imagino que hoje ainda seja um grande problema para os pequenos. O “X” sempre foi uma incógnita (na matemática, literalmente) pra mim.

Então, porque não definir apenas uma fonética para ela? Exemplo: se a partir de hoje o “X” passasse a ter somente som de “ch” e, em alguns casos, “cs”, exame passaria a ser “ezame”. Excesso, “ecesso”. Estranho não?

Parece desnecessário, meio bisonho até. Afinal, não é algo que vá acabar de uma hora pra outra com os problemas do país. Mas, poderia facilitar um pouco a vida de quem vai começar a ler e escrever a partir de agora. Ou é somente mais um dos meus delírios.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Entressafra

Segunda-feira, dia 13 de julho, foi o Dia Mundial do Rock. Vez ou outra surge aquele coro anunciando sua morte. Mesmo fora da grande mídia, ele segue firme e forte.

Acho até melhor esse ostracismo involuntário. Pelo menos ficamos sabendo quem gosta de verdade. Porém, um fato me preocupa: a falta de ídolos para as novas gerações. Dei uma passada na Galeria hoje e o que predomina nas camisetas são bandas de mais de 15 anos.

Nesta década, não surgiu nada tão bom que pudesse fazer frente aos grandes nomes do passado. E, sem renovação, os mais jovens estão condenados a ouvir uma música cada vez mais velha.

Não que eu tenha alguma coisa contra. Muitíssimo pelo contrário. Quem me conhece sabe disso. Talvez faltem veículos de divulgação – adoro a Kiss FM, mas ela toca pouca coisa recente. Ou, talvez seja um período de entressafra mesmo.

Sei lá. Enquanto isso vou vasculhando meu baú (e a internet, por que não?) pra ver se descubro novos sons antigos. E velhas coisas atuais.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Vida longa ao Rei

Quem vê Roberto Carlos hoje, cantando canções religiosas, lacrimosas e de gosto duvidoso, quase duvida que um dia ele fora tão ousado e criativo. Porém, por tudo o que fez, especialmente em seus primeiros 15 anos de carreira, ele merece as homenagens que lhe estão sendo prestadas na comemoração de seus 50 anos de música.

Tudo começou com um simples compacto sem muita repercussão, no longínquo 1959. Seu primeiro álbum completo só foi gravado em 1962, repleto de versões e algumas canções próprias, já com o eterno parceiro Erasmo. Veio o sucesso com a Jovem Guarda, mas não o prestígio. Eram chamados de “alienados” pelos intelectuais da época, amantes da Bossa Nova. Onde, então, Roberto Carlos assumiu o trono e a coroa de rei?

Quando comecei a tomar ciência das coisas, nos anos 70, Roberto já era soberano no rádio e na TV, com programas especialmente dedicados à ele e tudo mais. Sua transformação de ídolo pop juvenil para um lugar cativo no olimpo da MPB ocorreu no fim da década anterior. Com a decadência da Jovem Guarda, o Rei começou a ampliar seus horizontes musicais, misturando seu som com fartas doses de Black Music (Soul e Funk). A vitória no Festival de San Remo, em 1968, serviu também para solidificar este seu lado intimista.

A partir daí, começa a grande fase de sua carreira. Lança até 1972 seus melhores discos, ao mesmo tempo em que vê sua popularidade chegar à estratosfera. As letras ficam mais elaboradas e ele ganha moral entre os nomes conceituados da música do país. Nos shows, cada vez mais bem produzidos, Roberto se agiganta. Seu reinado estava consolidado. Mesmo que, na sequência, tenha dado uma guinada para uma música mais comercial e voltada ao público latino.

Hoje, Roberto Carlos vive do prestígio que conquistou nesta época. É difícil alguém não conhecer ao menos uma dúzia de canções do Rei e gostar de pelo menos uma delas. Sua música alcança a todos; dos mais velhos aos mais jovens, dos mais pobres aos mais ricos. Já foi gravada por artistas de MPB, Rock, Sertanejo, Samba, Axé. É um patrimônio da cultura nacional.

E digo tudo isso sem ser um fã incondicional. Imaginem se eu fosse. Vida longa ao Rei.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sociedade do Espetáculo?

Pensei que já tivesse visto de tudo. Das mais variadas e insanas manifestações de amor a um ídolo. Showmícios, shows para celebrar o nascimento de algo ou alguém, shows para comemorar títulos e vitórias. Até shows para festejar o fim de uma carreira. Mas, nunca um show-funeral.

Nunca vi pessoas com um sorriso na boca e um ingresso na mão - a distribuição e venda, por si só, já é um absurdo - para assistir ao funeral de quem quer que seja. Pessoas felizes em um momento de pesar e dor, como se estivessem indo assistir a um espetáculo.

Por mais genial que fosse, por mais importante que tenha sido para a música pop mundial, Michael Jackson, depois de uma vida tão atribulada e cheia de traumas, merecia um pouco de paz em seu enterro. Todas as homenagens que vierem depois serão bem vindas.

Parece que chegamos ao cúmulo da “Sociedade do Espetáculo”, a mesma que fez do Rei do Pop um ícone e uma vítima. Afinal, que tempos são estes?

terça-feira, 30 de junho de 2009

Férias

Enfim, as férias. Férias de quase tudo: trabalho, faculdade. Pelo menos por uns dois ou três dias, quero desacelerar e não pensar em nada importante. Depois, vou fazer as coisas que não faço há um bom tempo: ir ao cinema, ao teatro, ao "Palestra", shows, ler livros, jornais, revistas, pedalar. Quanta coisa! Acho que um mês será pouco para tanto. Se der pra viajar também, ótimo.

Estamos exatamente na metade do ano. O semestre foi estressante, corrido pra caramba. Quero aproveitar este tempo também para criar novas oportunidades para trabalhar com o que gosto. Não tenho tempo a perder.

Aquela decisão insana do STF, sobre a não obrigatoriedade do diploma, me abalou. Tanto que estas são as primeiras linhas que escrevo sobre o assunto. O futuro sobre a profissão que escolhi parece nebuloso. No momento, o que vejo é que viramos piada para os outros estudantes e profissionais. Gostaria de fazer algo sobre isso. Mas, ainda são sei o quê e nem por onde começar.

Férias também é um momento de reflexão, de reciclagem. Preciso desta parada estratégica. Minha vida sempre foi uma luta constante contra a preguiça. Este mês, posso curtí-la sem culpa. Quero buscar novos sonhos. Quero olhar as coisas por outro prisma. Quero conhecer novas pessoas. Quero visitar lugares que não conheço.

O blog não tira férias, continua firme. Afinal, terei mais tempo pra escrever. Talvez ele precise de uma repaginada, já que em agosto completará um ano. Puxa! E pensar que tinha o maior receio de me expor! Acho que foi a melhor coisa que fiz no ano passado. Só não vou tirar férias de mim mesmo. E, desta vez, nem dos amigos.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Fora de série

Existem apenas dois caminhos para os artistas mirins, aqueles que iniciam suas carreiras muito cedo, ainda na infância. Ou piram após caírem no ostracismo, ou piram quando o sucesso continua. Este foi, infelizmente, o caso de Michael Jackson. Conheço pouquíssimas exceções. Mas, não me lembro de nenhuma agora.

Michael Jackson foi cria da enorme fábrica de talentos chamada Motown. Gostava dele com seus irmãos no Jackson 5. Porém, quando chegou sua fase Thriller, eu estava completamente ligado em Rock e, odiá-lo era um de meus esportes preferidos. Passado este período de intolerância, pude entender o tamanho da sua importância. O Rei do Pop era um fora de série.

Em que momento de sua conturbada vida, Michael pirou? Talvez durante aqueles exaustivos ensaios forçados pelo seu pai tirano. Talvez pelo sucesso excessivo e precoce, que já vez vítimas como Macauley Culkin. O fato é que suas atitudes estranhas arranharam sua imagem e sua carreira.

Quando um artista morre, suas qualidades acabam sendo superestimadas. Aconteceu com Elvis, que na época estava praticamente esquecido e decadente. Lembro-me de uma prima que virou sua fã da noite para o dia e que engravidou logo após a morte do Rei do Rock. Se fosse homem, seu filho chamaria-se Elvis Sérgio. Graças à Deus, nasceu Priscila. Com Michael Jackson, sem dúvida, acontecerá o mesmo.

Mesmo com todos os problemas, ninguém nunca poderá negar seu carisma e sua qualidade musical. Melhor guardar na memória seus grandes momentos: o moonwalk, clipes históricos como Thriller e Black or White e grandes canções como Beat It e Billie Jean.

domingo, 21 de junho de 2009

Antigos cinemas de rua podem ser reabertos

Projeto prevê a reabertura de antigas salas e resgatar parte do centro da capital
Reportagem feita para a matéria Revisão e Redação em Jornalismo.
Avenida São João, 1462. Neste endereço funcionava aquele que é tido por muitos como o melhor e mais incrível cinema de rua da cidade. Um pouco distante da esquina imortalizada na canção, o Comodoro foi um dos símbolos da efervescência que vivia o centro, entre as décadas de 1960 e 1980. Nele, era possível assistir os melhores filmes em um sistema de som considerado o mais moderno entre seus pares: o Dolby Stereo Surround. Logo em frente, ficava o Cinespacial, com suas três telas (uma em frente e outras duas, uma de cada lado) exibindo o mesmo filme, simultaneamente. Sem contar o Cine Ipiranga, o charmoso Marrocos, o Marabá, o Olido, entre muitos outros.

Com a degradação da região central, muitas destas salas viraram igrejas evangélicas, estacionamentos ou exibem shows de strip-tease e filmes de sexo explícito. Ou, simplesmente, fecharam. Como é o caso do Comodoro. O jornaleiro Manoel Brandão,foi freqüentador assíduo. Ele conta, com muito saudosismo e uma certa emoção na voz, os filmes que assistiu ali. “O Comodoro era o que passava as melhores produções. Vi o Inferno na Torre, Os Dez Mandamentos, Ben Hur, com aquele ator que morreu, o Charlton Heston. No Terromoto (filme-catástrofe da década de 70), as cadeiras até balançavam. Foi um dos melhores filmes que eu vi. O último foi Striptease, com a Demi Moore”, diz.

No Cinespacial chegou a funcionar um bingo, mas, agora está fechado. Brandão - que aparenta bem mais que seus 61 anos – até gostava, mas, viu poucos filmes ali. Hoje, não vai mais aos cinemas. Os shoppings não lhe agradam. “Não me sinto bem nesse lugar. Parece que ele tira a liberdade da gente”, afirma, dentro de sua pequena banca de jornal, á poucos metros das duas salas.

A movimentação que existia na Avenida São João era constante. Em dias de exibição, dependendo do filme, as filas dobravam as esquinas. O Sr. Bartolomeu de Andrade, 51 anos, dono de um bar ao lado, também freqüentava o Comodoro. “Eu morava aqui perto. Preferia assistir na terça ou na quarta-feira. Nos fins de semana era muito cheio. Lembro-me que a fila para ver O Exorcista dobrava a esquina, voltava e dobrava novamente. A Avenida São João funcionava 24 por dia. A gente podia sair as duas, três da manhã pra comer alguma coisa que não tinha perigo. O máximo que existia eram os batedores de carteira”, conta Andrade, com um sorriso nostálgico nos lábios.

Sua opinião sobre o Cinespacial é diferente da do jornaleiro. Andrade achava ruim. Porém, o brilho nos olhos quando fala daquele período é o mesmo. “A sensação de ver Tubarão naquela tela gigantesca era assustadora. Parecia que você estava dentro do filme. Foi uma época muito boa”. Hoje, não vai mais aos cinemas. Prefere ficar em casa e assistir a um DVD. Sinal dos tempos.


Novas iniciativas

Atualmente, iniciativas públicas e privadas tentam resgatar algumas destas antigas salas. O Marabá rendeu-se ao padrão Cinemark/Multiplex e foi reinaugurado no dia 30/05. Onde antes existia um telão com 1500 lugares, agora há cinco salas menores. O arquiteto Ruy Ohtake, um dos mais famosos do país, é o responsável pela reforma, que mistura o conforto do presente com o glamour do passado. David Fernandes, 18, que trabalha em uma banca de jornal quase em frente, acredita no projeto. “Acho que vai ‘bombar’. Pretendo assistir alguns filmes aí”.

Porém, a principal metamorfose ocorreu na Galeria Olido. Há quase cinco anos, ela foi reinaugurada com o propósito de revitalizar o centro de São Paulo. Além do cinema, que foi mantido com foco em filmes longe do circuito comercial, a Olido tornou-se um excelente espaço para shows de música e dança. Muitas características da época em que foi inaugurada (na década de 1950) foram mantidas, como as poltronas vermelhas e o hall de entrada. Mas, infelizmente, ela ainda é um oásis em meio à degradação ao seu redor.

Existe um projeto da prefeitura de reabrir alguns destes antigos cinemas do centro. A ideia é revitalizar um “corredor” que vai do Teatro Municipal às avenidas Ipiranga e São João. O Marrocos deve ser transformado em um cinema municipal. O Art Palácio, em uma casa de espetáculos, nos moldes do Radio City Music Hall, de Nova York. O Cine Ipiranga ainda não tem destino certo. A reforma do Cine Metrópole, na praça Dom José Gaspar, depende de uma aprovação do Conpresp (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico). Também existem projetos para a reabertura dos cines Windsor e Paissandu. Enfim, se tudo isso sair do papel, o centro da cidade, finalmente, começará seu processo de revitalização.


sábado, 13 de junho de 2009

Herois no cinema

Hoje em dia, é comum assistir aos blockbusters de super herois no cinema. Nem sempre foi assim. Após inúmeras tentativas, foi somente nesta década que Hollywood encontrou a fórmula perfeita para transformar as peripécias dos mais diversos personagens em sucesso. O primeiro longa metragem dos X-Men foi a pedra fundamental desta nova etapa.

As novas tecnologias em computação gráfica tornaram possíveis a realização de produções com efeitos visuais inimagináveis para um veterano como eu. Afinal, meu primeiro contato com os super herois foi com aqueles desenhos da Marvel, sem movimento, pareciam páginas de gibi transpostas para a tela. Só mexiam a boca. Capitão América, Thor, Hulk. Tudo aquilo, hoje, parece hilário. Mas, na época, era o máximo.

A primeira tentativa de trazer este universo para o cinema foi com Superman, no longínquo ano de 1978. E foi em grande estilo, um sucesso estrondoso. Os efeitos visuais até hoje não fazem feio. Veio o segundo filme (que já era normal naquela época) e, em seguida, a série esfriou. Por alguns anos, nossos herois foram engavetados pelos produtores da capital do cinema.

No fim dos anos 80, a nova investida: Batman. O homem-morcego reaparece mais sombrio, mais angustiado. Como nos quadrinhos de Frank Miller. E sem o “mala” do Robin. Porém, a escolha do ator principal foi equivocada. Após o quarto filme e duas trocas de atores, Batman foi aposentado pelos estúdios.

Depois dos nossos amigos mutantes, chegou às telas o (na minha opinião) melhor e mais bem sucedido da categoria: o Homem Aranha. É o meu heroi preferido. Tudo bem, o Batman não tem super poderes. Mas é um milionário excêntrico e metido à besta. É impossível não se identificar com Peter Parker que, além de repórter (olha o corporativismo!), é um sujeito “quase” normal, com seus problemas cotidianos, contas pra pagar, brigas com a namorada e discussões com o chefe que não vai com sua cara.

Falei tudo isso apenas pra dizer que assisti, há alguns dias, ao mais novo produto desta safra, o Homem de Ferro. Tony Stark e sua fantástica armadura já faziam parte do meu imaginário desde a infância – era um daqueles desenhos da Marvel, citados lá em cima. E parece que os americanos estão se especializando no assunto. É um excelente filme de ação, com um bom roteiro, bons atores no elenco de apoio e uma escolha acertada no papel principal.

Com todo este know how adquirido, até o Cavaleiros das Trevas foi ressuscitado. Quem sabe agora não está chegando a vez do Capitão América, Thor, Aquaman, The Flash, o Lanterna Verde, entre outros que não me lembro agora. Só espero que não o façam com os japoneses (arghh!). Vamos aguardar os próximos episódios.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Radicalismo que se percorre em duas rodas

Ciclistas de várias modalidades fazem de São Paulo a capital das bicicletas
(Reportagem feita para o link 5 de Prexol)


Foto: João Luis Pinheiro
Trilhas terrenas em mata fechada, muitas pedras no caminho. Aclives e declives, alto teor de adrenalina em cima de uma bike. Parece, mas não é uma cidadezinha do interior. A mata em questão é a Serra da Cantareira, que desenha o limite norte da capital paulista. É difícil acreditar, entretanto tudo isso está a poucos quilômetros do centro.
Entres os esportes radicais que se popularizaram recentemente, o ciclismo é um dos mais praticados. Das categorias existentes, o mountain bike talvez seja a mais radical delas. Pelo menos é o que sente José Roberto Almeida, 56 anos e ciclista há mais de 40. “Sinto-me um garoto quando ando por aquelas trilhas. Além do visual incrível que tem lá de cima”, explica Almeida.
Buzinas, fumaça cinza entrando pelos pulmões. Carros que fecham, desrespeito total. A paisagem muda, mas o radicalismo continua. O nível de adrenalina ainda é alto, porém, agora, o asfalto é quem dá o tom. Pedalar nas ruas da metrópole é arriscado. São Paulo possui apenas 30 quilômetros de ciclovias. E, infelizmente, nem todos tomam os devidos cuidados.

Valdir Gomes é técnico em informática, pedala há muito tempo, e uma vez por semana (aos sábados) desloca-se de sua casa na Zona Leste até o Brooklin, em sua bicicleta. Ele utiliza todos os equipamentos de segurança. “Poucos motoristas respeitam o ciclista. E os buracos na pista são um perigo tão grande quanto os carros. Tenho que manter a atenção redobrada”.

Saltos mortais, manobras difíceis. As piruetas no ar são comuns para estes esportistas. Os novos modelos das “magrelas” agora são menores. E os praticantes também. A pista é de terra e a modalidade é o bicicross, onde o que vale é a habilidade acrobática do piloto. E a velocidade também. A pista do Parque Ecológico do Tietê é uma das poucas existentes na cidade.

Há ainda os velocistas, que cruzam as rodovias que cortam a Grande São Paulo. Pelo acostamento, com mais segurança, os praticantes desta modalidade percorrem distâncias enormes, pelo simples prazer de pedalar. “As melhores estradas são a Ayrton Senna, até Mogi das Cruzes e a Bandeirantes, até o Hopi Hari. Não é muito radical, mas é uma delícia”, explica Gomes.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Wish Were Here

Então, então você acha
Que consegue distinguir
O céu do inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir
Um campo verde
De um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?
Você acha que consegue distinguir?

Fizeram você trocar
Seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
Ar quente por uma brisa fria?
Conforto frio por mudança?
Você trocou
Um papel de coadjuvante na guerra
Por um papel principal numa cela?

Como eu queria
Como eu queria que você estivesse aqui
Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre este mesmo velho chão
O que encontramos?
Os mesmos velhos medos
Queria que você estivesse aqui.

Esta não é uma canção de amor. Foi escrita por Roger Waters e David Gilmour em 1975 e dedicada ao amigo Sid Barret, que havia partido em uma viagem sem volta para o mundo dos lunáticos. Acho que funciona muito bem como homenagem ao meu grande amigo, que também partiu há um ano, em outra viagem só de ida. Um clássico, exemplar mais do que perfeito de letra e melodia fantásticas.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Velhas Correntes

Sou índio, sou negro
De sangue e de fé
Sem calo nas mãos
Nem samba no pé

Mas, nem por isso
Deixei de escutar
O choro contido
Suspenso no ar

Dos que tentam em vão
Sair das velhas correntes
Que inibem os mais fortes
E aprisionam os inocentes

Mas, nem por isso
Deixei de enxergar
A alma escondida
Debaixo do altar

Dos que sonham um dia
Voltar a viver como reis
Fazer da favela um quilombo
Dizer o que Zumbi já fez

Sou índio, sou negro
De corpo e de alma
Vivendo em conflito
Na taba e na senzala

Por tudo isso
Eu tento encontrar
A razão perdida
Nas ondas do ar

Dos que pensam que estão
Acima do bem e do mal
Presos na própria armadilha
Dentro do próprio quintal

Por tudo isso
Eu quero enfrentar
A estupidez refletida
No jeito de olhar

Dos que pensam que são
A luz da modernidade
Vivem como parasitas
Cegos pela futilidade.

À todos que lutaram e morreram por ela, a Liberdade.

sábado, 9 de maio de 2009

MÃES

Inaugurei este blog em pleno dia dos pais, no ano passado. Nada mais justo que agora, no dia das mães, escreva algo para e sobre elas. Mas, escrever o quê?

Parece que tudo já foi dito antes. Que seu amor é incondicional. Que são dedicadas e abnegadas ao extremo. Que, infelizmente, existem aquelas que abandonam, que desprezam, que espancam suas crias. Aquelas que geram filhos indesejados. As anti-mães. Ainda bem que são exceções.

As mães levam uma grande vantagem sobre os pais. Nove meses que fazem toda a diferença. Ali, em seu ventre, nasce um elo inquebrável, eterno. É o milagre da vida. E é assim por toda a natureza (menos com os cavalos-marinhos!). São as mães que educam, que nutrem, de alimento e sabedoria.

Mães amam cegamente, não importam como sejam seus filhos: santos, pecadores, belos, feios. São elas que carregam este mundo nas costas. Se as mulheres são o sexo forte, as mães são forjadas em titânio, pelo amor e pela dor.

Parabéns a todas as mães, em especial a minha, dona Benedicta (com “c” mesmo), 79 anos bem vividos e com saúde. E a Islania, mãe de minha única e amada filha Juliana. Mesmo sabendo que é mais uma daquelas datas criadas para aquecer o comércio, não deixe de dar um abraço na sua. Ela merece.

sábado, 2 de maio de 2009

Solos

No princípio, eram raros e extremamente curtos. Aos poucos, foram sendo aprimorados. Ganharam identidade e foram crescendo em importância e tamanho. Até que surgiram os especialistas, que o tornaram marca registrada, ícone. Ficaram longos e virtuosos. Às vezes, chatos. Caíram e desuso. Foram banidos do paraíso. Voltaram mais econômicos, sem perder o charme. E retornaram ao ostracismo. Onde estão hoje? Talvez escondidos em garagens, nos quatro cantos do planeta.

Os mais jovens devem achá-lo obsoleto e desnecessário. Os mais experientes veneram-no como uma entidade divina. Nem um e nem outro. Para mim, um solo de guitarra tem de ser uma extensão da música, tem de entrar na hora exata, ter feeling – aquele algo mais que te faz assobiar junto e se arrepiar quando escuta um. O melhor exemplo é a abertura e o solo de Little Wing, do mestre dos mestres Jimi Hendrix. É simples, mas tocado com extrema destreza e emoção. Só de pensar, já me emociono.

Detesto exercícios de virtuosismo, como fazem alguns idiotas como Yngwie Malmsteen e Eric Johnson. Aquilo não é Rock. Parece masturbação musical. O cara está lá em cima do palco dizendo: “olha como eu toco bem e rápido pra cacete!” Se acham seres superiores, acima do bem e do mal. Mas, na verdade, não passa de vaidade.

Rock and Roll é diversão, descompromisso. Tudo bem, uma boa técnica sempre engrandece a música. Que o digam, o próprio Hendrix, David Gilmour, Clapton, Jimy Page, Eddie Van Halen, entre tantos outros, que não me deixam mentir. O segredo é deixarem a soberba de lado e não se levarem tão à sério.

E isso vale para qualquer campo das artes. A arrogância, prepotência e o excesso de vaidade acabam minando o processo criativo. Ninguém deve se achar tão bom que não possa ouvir uma crítica construtiva ao seu trabalho. Ninguém é tão bom que se considere superior a qualquer outro profissional. Muitos dos maiores gênios da humanidade foram os mais generosos possíveis.

Bem, acho que vou fazer como o Zé e ouvir o bom e velho Pink Floyd, que sempre tem um belo solo do grande David Gilmour, e relaxar. Afinal, o dia será longo.

sábado, 25 de abril de 2009

MÚSICA

O que é uma música boa pra você? Este foi o mote de um pequeno debate, ontem à noite, pouco antes da aula de Legislação (aliás, ótima). Pode parecer desnecessário ou um pouco ingênuo, mas a pergunta traz vários questionamentos e reflexões. Afinal, a velha máxima do senso comum nos diz que “gosto não se discute”.

Mas, para mim é possível discutir o assunto, sim. Mesmo que a conclusão seja a de que, como na religião, ele é absolutamente individual. Enquanto para alguns, a boa música depende da técnica apurada, da qualidade dos músicos, para mim a boa música é aquela que entra pelos meus ouvidos, passa pelo filtro e desce redondo. Simples assim.

Pode ser pelo que ela que diz de relevante, ou, simplesmente pela melodia. Para mim, pouco importa se toca ou não no rádio. Hoje existe aquele discurso comum que diz, “gosto de tudo um pouco”. Acho meio difícil. Parece que a mídia formadora de opinião continua ditando regras. Mas, tenho bem claras as minhas preferências. O que, às vezes, pode parecer teimosia.

A discussão pode tomar outros rumos. Acredito que a preferência por um gênero musical tem a ver com a personalidade da pessoa (existem alguns estudos sobre o assunto). Me parece que quem gosta de rock tem uma alma mais inconformada, às vezes perturbada, um quê de revolucionário. Os sambistas são mais bem humorados, conformistas. Parece que tudo está sempre bem para eles. Quem curte música sertaneja é, sem dúvida, mais romântico. E por aí vai.

O fato é que, atualmente, tento ter uma postura mais independente em relação aos produtos da indústria cultural. Tudo bem, não dá pra ser totalmente imune ao bombardeio a que somos expostos todo momento. Mas, procuro deixar meu senso crítico sempre aguçado. O que não me serve ou não me agrada, mesmo que a maioria esteja consumindo, é descartado.

Não importa de que música você gosta ou toca. Se você é músico ou não. Se o que você quer é se emocionar, soltar seus demônios interiores, protestar, ou, simplesmente se divertir. O importante é que sua relação com ela seja sincera e verdadeira. Ela faz parte da humanidade desde os tempos imemoriais. É o tempero da minha vida. E não consigo imaginá-la sem esse ingrediente fundamental chamado música.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Uma contadora de histórias - A vida que alguém viu

Acabei de ler A Vida que Ninguém Vê, de Eliane Brum. Confesso que me sentia um pouco constrangido por ouvir falar tanto e ainda não ter lido nada dela. E a espera valeu a pena. Eliane é maravilhosa.

Estou com aquelas histórias gravadas em minha mente. O livro é uma coleção de reportagens, que mais parecem crônicas cotidianas. Tudo escrito com uma sensibilidade ao mesmo tempo lúcida, engajada, poética. Algo fora do comum na imprensa tupiniquim. Seu texto é único e instigante.

Em meio a tanta imparcialidade, matérias engessadas, sem personalidade, o que Eliane Brum faz nos remete aos tempos em que o jornalismo brasileiro era mais provocativo. Não deixa de ser um paradoxo: à medida que fomos conquistando mais liberdade, as reportagens foram ficando mais presas.

Ricardo Kotscho, em seu prefácio, afirma que ela trouxe de volta um texto que andava perdido em meio a tantos manuais de padronização. Concordo. É um jeito mais pessoal e artesanal de escrever, sem as amarras da modernidade. Algo que vem mudando não só com Eliane Brum, mas com as revistas Brasileiros e Caros Amigos.

É uma das coisas que mais admiro em nossa profissão: contar histórias de pessoas anônimas, que só apareceriam nas páginas e programas policiais. Mostrar sua realidade, sem sensacionalismo, sem dramas, sem ingenuidade, apontando caminhos para mudanças de curso. Eliane é um dos modelos em que pretendo me espelhar. A partir dela, pretendo encontrar um rumo mais humanista para o meu texto jornalístico. Um desafio árduo, mas prazeroso.

domingo, 5 de abril de 2009

Indagações








Com que roupa eu estarei
No dia de partir?
O que estarei pensando
Quando ela me fugir?

Será que o dia vira noite
De repente, sem aviso?
Será que a escuridão persiste
Para sempre, sem improviso?

Com que espírito chegarei
Em minha nova cidade?
Será que ainda vou sentir
Algum tipo de vontade?

Será que meus sonhos
Sobreviverão depois de tudo?
Terei de pagar a quota
Por todos os meus absurdos?

Quantos erros ainda vou cometer
Pra que a vida não passe em vão?
E quantos acertos serão precisos
Pra encontrar o caminho então?

Tem ideia do que vai acontecer
Com o antes, o depois e o agora?
Já sentiu, em um breve instante,
Sua vida mudando, naquela hora?

Se eu pudesse te ouvir
Continuaria a pensar em mim?
Se eu pudesse te ver
Me deixaria seguir até o fim?